Indaiatuba — Uma prática antiga e constantemente criticada por usuários do sistema público de saúde voltou ao centro do debate: a interferência política na ordem de atendimento médico, popularmente conhecida como “furar a fila” ou “farra da senha”.
A proposta que começa a ganhar força em Indaiatuba defende algo simples e essencial: a prioridade em consultas e atendimentos médicos deve ser definida exclusivamente por critérios técnicos e médicos, e não por indicações de vereadores ou agentes políticos que atuam dentro ou fora das unidades de saúde.
Segundo especialistas e profissionais da área, a priorização de pacientes deve considerar fatores clínicos como gravidade, risco de vida, urgência e vulnerabilidade, respeitando protocolos médicos e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), como a equidade e a justiça no atendimento.
Interferência política gera desigualdade
Na prática, a interferência política cria uma distorção grave no sistema. Pacientes que aguardam meses por uma consulta acabam sendo ultrapassados por pessoas indicadas por parlamentares, o que gera revolta, desconfiança e sensação de injustiça entre os usuários.
“Não se trata de negar ajuda a quem precisa, mas de garantir que quem decide quem passa na frente seja o médico, com base em critérios técnicos, e não interesses eleitorais”, afirmam profissionais da saúde ouvidos pela reportagem.
- Vereador não é gestor de fila médica
A discussão também levanta um ponto sensível: o papel do vereador. A função do parlamentar é fiscalizar, legislar e cobrar melhorias estruturais para a saúde pública, como mais médicos, mais vagas, mais exames e melhor gestão
e não atuar como gestor informal de filas hospitalares.
Especialistas alertam que esse tipo de prática, além de antiética, pode mascarar problemas estruturais do sistema, desviando o foco da solução real.
Transparência e respeito ao cidadão
A proposta defende ainda mais transparência na gestão das filas e respeito ao cidadão que aguarda atendimento. A prioridade deve ser uma decisão técnica, registrada, justificável e auditável.
Para a população, a mensagem é clara: saúde não pode ser moeda política.
Coluna do Sincerão








